Vinte e seis
Você escolheu bem, minha filha – disse Zeus, enquanto juntos eles assistiram a piscina de vidência exibir a descida lenta do trono de pilar do Arquiteto. – Ares escolheu, eu refinei. – Atena disse, recusando-se a tirar os olhos da imagem de Kratos até o espartano e a Caixa de Pandora atingirem o nível de entrada do templo. – Meu irmão não entendeu o que tinha em Kratos. – E assim ele embotou sua melhor arma. – Uma arma que é mais mortal agora do que Ares jamais poderia ter forjado. – Atena disse. Eles assistiram o progresso do mortal enquanto ele olhou ao redor do templo no topo da montanha atrás de Atenas. – Uma pergunta, meu senhor. É esse o resultado de seu plano?
Ele se virou para ela, para apontar. – Pai... – ela repetiu, mas o Rei do Olimpo simplesmente apontou para a piscina de vidência, onde o trono ainda descia em seu ritmo constante através dos incontáveis pisos do templo. – Seu espartano está quase chegando na antecâmara do templo – ele disse. – Existe alguma coisa que você queira dizer a ele antes que ele saia? – Por que você pergunta? – Uma vez que ele trouxer a caixa para fora do templo, os eventos podem começar a se desdobrar rapidamente. Atena viu que o pilar descendente já tinha atingido a antecâmara, estendendo-se para baixo através do teto, até que ele progrediu para o andar de baixo e continuou a afundar. Os terremotos desencadeados por essa ação começaram a fazer tremer todo o templo, assim como as montanhas acima e abaixo dele. Pedaços de alvenaria explodiam das tensões mecânicas e pedregulhos começaram a chover sobre a cabeça de Cronos. Atena saiu do Olimpo para a antecâmara do Templo de Pandora, onde chegou com a velocidade de um pensamento, esperando invisível, o trono de pilar aterrissar e revelar Kratos e a Caixa de Pandora. O espartano pareceu surpreendentemente pensativo quando ele entrou, empurrando a arca pelas imensas portas, que levavam ao exterior do templo. Ao seu toque, um borrifo grande de energia crepitante eclodiu das pedras gigantes.
Atena reuniu as luzes que chamuscavam moldando o formato de seu rosto. – Kratos, sua demanda está próxima do fim. Você é o primeiro mortal a chegar à Caixa de Pandora. Ainda há tempo para salvar Atenas. Você deve trazer a Caixa de volta para minha cidade e usá-la para matar Ares.
Kratos levantou os olhos para encontrar os dela, e ela notou como encontrar os desafios necessários para atingir a Caixa de Pandora o tinha modificado. Sua sede de sangue tinha sido temperada com ponderação. Misericórdia estava além do seu limite, mas ele havia sido forjado em uma arma mais potente, uma que surpreenderia a Ares. – Retorne a Atenas, Kratos – disse ela. – Retorne e salve a minha cidade.
Quando ela retornou ao Olimpo, ouviu os grunhidos de Kratos quando ele começou a empurrar a arca pesada. Ela rematerializou-se diante do trono de Zeus. Zeus, para sua surpresa, ainda estava lá, ainda observando a piscina de vidência. – Ele está abrindo as portas. Veja – disse ele. – Aí vem. – Pai, eu preciso transportar Kratos e a Caixa de Pandora para... – Não se preocupe com isso. – Mas, Pai, até mesmo descer a Caixa das costas de Cronos... – Eu disse – Zeus retrucou. – Não se preocupe com isso.
– A cada segundo que passa, mais da minha cidade queima! Zeus fez um gesto na direção das imagens no espelho d’água. – Veja. Enquanto Kratos empurrava a Caixa de Pandora para fora do templo e para o sol da manhã do Deserto das Almas Perdidas, pela primeira vez em mil anos... Zeus fez um gesto, e a cena na piscina mudou. Atenas estava em chamas. Ares caminhava pelas ruas, pisando em atenienses que fugiam, rindo quando sua espada cortava todo os bairros em ruínas e golpes de martelo achatavam as casas. Sua risada maléfica ecoava das montanhas para o porto.
Quando o Deus da Guerra levantou o punho para quebrar outro prédio, ele fez uma pausa, punho erguido, e virou-se para o leste como se uma mão invisível tivesse batido-lhe no ombro. – Então, pequeno espartano, você recuperou a preciosa Caixa de Zeus.
As chamas do cabelo de Ares brilharam como o sol. Seus olhos ardiam com uma fúria que não podia ser contida, e todo o seu corpo tremia enquanto a raiva alimentava seus músculos. – Você não vai viver para vê-la aberta!
Ares se abaixou para arrancar uma das grandes colunas de mármore do Pártenon. O deus levantou-a como se a ela não fosse mais que uma lança de brinquedo, mas uma com uma mortal ponta irregular. Ele correu para pegar impulso e atirou seu dardo prodigioso, que riscou o céu acima tão rápido que desapareceu como um trovão. Ares voltou para sua tarefa de destruição com um sorriso no rosto. Ele não se preocupou em assistir a sua arma atingir ao alvo. – Adeus, espartano. Você vai apodrecer nas profundezas do Hades por toda a eternidade.
Sua risada ribombou sobre as ruínas de Atenas como o chifre maldito do próprio Hades. – Pai, pare-o! – Atena – Zeus a interrompeu bruscamente –, seus planos estão no fim. Há apenas mais uma coisa para você fazer até isso tudo acabar. Atena abaixou a cabeça, preocupando-se com o destino de Kratos e de sua cidade. – E o que seria, Pai? – Assista.

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