sábado, 19 de maio de 2018

CRÔNICAS 52 : GOD OF WAR

Dezessete

O livro estava aberto diante de uma porta maciça como o olho de um deus, sua abóboda superior decorada com símbolos secretos. O livro em si parecia apenas uma estátua, uma réplica, esculpida em pedra para parecer uma anotação sobre um pedestal; nenhum livro de verdade poderia ter sobrevivido à exposição do Deserto das Almas Perdidas aberto por mil anos. Sua natureza era irrelevante. Toda sua importância era transmitida pelas palavras gravadas em suas páginas de pedra. ESTE TEMPLO FOI CONSTRUÍDO EM HONRA E SOB O COMANDO DO PODEROSO SENHOR ZEUS. APENAS O HERÓI MAIS VALENTE PODERÁ RESOLVER SEUS ENIGMAS E SOBREVIVER AOS SEUS PERIGOS. UM HOMEM VAI RECEBER O PODER SUPREMO. TODOS OS OUTROS ENCONTRARÃO SUA PERDIÇÃO.
– PATHOS VERDES III
ARQUITETO-CHEFE E
SÚDITO LEAL DOS DEUSES
Kratos fez uma careta enquanto lia as palavras esculpidas. O Arquiteto realmente projetou o Templo de Pandora, deliberadamente, para ter seus enigmas resolvidos pelo “mais valente herói”? Kratos bufou em desgosto. Ele não era nenhum herói, tendo cometido tantos assassinatos sangrentos, mas não encontraria sua condenação ali. Seu ódio por Ares e a promessa de os deuses apagarem seus pesadelos o levariam à vitória. Kratos virou-se quando as grandes portas do templo bateram atrás dele. Não havia como voltar atrás, mesmo que quisesse. Ele olhou em volta e viu que a única maneira de avançar era através de um portal entalhado com mais símbolos curiosos. Nos pontos cardeais ao redor da porta circular estavam joias grandes, opacas e sem vida, apesar da luz solar que as atingia. Kratos colocou a mão em uma pedra, que podia ser um diamante. Ele a sentiu tremer e tirou a mão de cima dela. Girando, ele sacou as Lâminas do Caos e encarou um morto-vivo fortemente blindado e com mais de três metros de altura. Kratos cruzou as lâminas acima de sua cabeça, para se defender de um ataque poderoso da enorme espada do morto-vivo. O golpe foi tão forte que deixou Kratos de joelhos.
Em vez de forçar suas pernas a ficarem eretas, Kratos subitamente liberou a pressão de suas lâminas e rolou para a frente, entre as pernas do morto-vivo. Enquanto rodopiava por baixo delas, ele golpeou os tornozelos esqueléticos. O soldado morto-vivo tombou para a frente, dando a Kratos a abertura de que ele precisava. E o espartano retalhou-o com toda a sua força. Duas coisas aconteceram; uma era esperada e a outra, surpreendente. A cabeça do mortovivo soltou-se do pescoço, como ele pretendia. O diamante que Kratos havia tocado começou a brilhar. Ele passou por cima de seu adversário caído e pressionou sua mão calejada sobre o agora iluminado diamante, que estava quente. Ele estendeu a mão e passou-a sobre a joia seguinte, ainda fria e inerte. Ele rapidamente se viu ameaçado por um ciclope materializado atrás dele. A luta foi acirrada, mas Kratos despachou o monstro de um olho só, com uma finta que fez o ciclope cair. A lâmina na mão esquerda de Kratos golpeou o globo solitário profundamente, fazendo uma substância pegajosa e pedaços de cérebro jorrarem. A pedra na porta agora brilhava em um reluzente vermelho-rubi. – Então – Kratos disse, sorrindo cruelmente. – Esta é a chave para a sua porta, Arquiteto. Sangue! Ele tocou rapidamente as duas gemas restantes, materializando mais dois lutadores. Saber o segredo do portal lhe permitiu não precisar de muito esforço para enviar os monstros ao Hades, lugar ao qual pertenciam. As duas gemas remanescentes, um peridoto brilhando em amarelo esverdeado e uma ardente safira azul, enviaram relâmpagos de luz para o arco em torno do portal circular. Lentamente, a porta de entrada para o Templo de Pandora se abriu. Kratos entrou em um corredor longo e curvo, revestido com portas em ambos os lados. Ali, também, braseiros de parede queimavam alegremente. Eles podiam ser mágicos, aparentemente tudo ali era, em algum grau, mas eles certamente não eram parte do trabalho do Arquiteto; não havia absolutamente nenhuma razão para iluminar o interior, se se quisesse manter os intrusos fora. Tudo seria duplamente desafiador em um tipo de escuridão total, e alguém tentando alcançar a Caixa de Pandora teria de fazer o caminho antes de o óleo de sua lamparina acabar. Então, Kratos riu asperamente. O Arquiteto, sem dúvida, pensou que a visão dos monstros aguardando a quem entrasse nesse labirinto iria debilitá-los, acrescentar mais medo, tornar suas mortes mais certas, enquanto o terror congelasse seus braços e afrouxasse seus intestinos. O Templo de Pandora não fora criado apenas para manter afastados aqueles que buscavam a Caixa. Fora
concebido para inspirar pavor naqueles que se atrevessem a vir tão longe. Mais de uma vez, Ares dissera a Kratos que o propósito da guerra não era matar o inimigo, mas matá-lo após violar seu espírito. Ele olhou para os lados, calculando a curva. Se esse corredor formasse um anel, seria muito grande. Seu primeiro objetivo era investigar a configuração do terreno, porque, aparentemente, qualquer parte dessa estrutura podia, sem aviso prévio, se tornar um campo de batalha. Ele correu ao redor do círculo... e, quando voltou para seu ponto de partida, descobriu que a grande porta circular através da qual entrara havia se fechado, selada mesmo contra seus melhores esforços para abri-la novamente. Kratos ignorou. Recuar não fazia parte da sua constituição. Vencer ou morrer. Como sempre. Ele encontrou uma arcada aberta enquanto continuava a caminhar ao redor do anel, uma que não estava aberta um momento atrás, quando passou pela primeira vez. A paisagem ao longo do corredor agora aberto diante dele parecia promissora: em intervalos espaçados, paredes gigantescas cobertas por espinhos fechavam-se uma contra a outra, com força suficiente para sacudir o chão de pedra sob Kratos. Raciocinando que o Arquiteto havia tido muita dificuldade para desencorajar a entrada de intrusos nesse caminho particular, esse seria um bom lugar para começar sua busca. Ao cronometrar uma sucessão de corridas, ele passou pelo corredor sem um arranhão sequer. Kratos parou e olhou para trás. Ele havia passado pelo primeiro teste dentro do Templo de Pandora. Quantos mais estavam por vir? Muitos. Ele entrou em uma área ampla, as paredes esculpidas com os mesmos símbolos ocultos que ele vira do lado de fora. Kratos os ignorou, pois estavam em frente a uma câmara cheia de monstros. Ele empunhou as Lâminas do Caos e, com um arremesso, enviou-as para os limites de suas correntes. Um giro rápido despachou as armas e seus ferozes gumes em um amplo círculo de destruição, golpeando dois dos legionários mortos-vivos que não o haviam percebido. Ele cortou suas pernas e os derrubou de modo que não pudessem continuar a lutar. Os outros, que corriam na sua direção, não foram tão facilmente derrotados. Kratos sacou as armas e começou a destruição metódica de seus inimigos. Sua habilidade, sua experiência e a intensa raiva que sentia em relação a Ares alimentavam suas investidas, aprimoravam suas cutiladas e trouxeram-no para o outro lado da câmara com apenas alguns poucos arranhões. Ele viu um arco que aparentava ser inofensivo, mas se aproximou com cautela, lâminas na mão, e deu um passo para trás quando um zumbido de baixa frequência encheu a sala. Ele olhou ao redor e notou um portal circular que havia começado a brilhar
com uma luz branca pura. O arco ao lado da câmara estava preenchido com a imagem, tracejada em fogo vivo, do rosto de uma deusa, não tão voluptuoso como o de Afrodite nem tão austero como o de Atena; essa deusa tinha uma inocência curiosa, uma espécie de adolescência de ouro eterna. Essa poderia ser uma só deusa. Kratos inclinou a cabeça com genuíno respeito. – Senhora Ártemis. – Kratos, os deuses exigem mais de você!
Kratos apenas assentiu. Os deuses sempre exigiam mais. – Muito depende de sua habilidade – disse a Caçadora do Olimpo. – Você aprendeu a usar as Lâminas do Caos bem, mas elas sozinhas não vão levá-lo até o fim de sua jornada. Eu ofereço-lhe a lâmina que eu mesma utilizei para matar um Titã. Tome este dom e use-o para completar a sua busca.
Kratos estendeu as mãos e a espada se materializou nelas. Era uma arma enorme, pesada, mais longa do que a altura de Kratos, e não tinha a forma de uma espada espartana decente. Sua lâmina amplamente curvada era mais larga do que a palma da sua mão e se projetava para além do punho, mais ou menos como o khopesh, a arma estimada pelos egípcios pagãos.
– Obrigado, Senhora Ártemis. – Vá com os deuses, Kratos – a imagem de Ártemis disse. – Vá em frente, em nome do Olimpo!
Com isso, a caçadora desapareceu, deixando apenas o arco aberto, que levava a uma região mais profunda no templo. Com a lâmina fria de Ártemis em sua mão, ele se aproximou do arco. Alguns pictogramas eram letras que ele podia ler, mas a maioria era estranha, estrangeira, e decifrá-los estava além da sua capacidade. Se ele pudesse lê-los, poderia ter alguma ideia de como seriam os desafios que enfrentaria antes de alcançá-los! Ele olhou para a sala além do arco e não viu ninguém. Não era nada mais que um vestíbulo, tal como ele já vira antes, levando a câmaras de audiência de reis. As decorações eram ricamente desenhadas, mas faltavam-lhe mais móveis elegantes, estátuas, tapeçarias, assim como espólios de guerra para a glória de Esparta. Uma escada provia o único caminho a seguir. Enquanto Kratos subia, notou que as paredes se estreitavam até que, no topo da escada, seus ombros largos roçaram a pedra bruta. O estreitamento continuava por um corredor até chegar a
uma plataforma, acima de um quarto cheio de engrenagens girando e gritos de agonia distantes. A luz fraca lhe proporcionou uma boa visão apenas de uma gigantesca criatura, que bloqueava seu caminho em uma passarela para a sala. O gigante bramiu seu desafio sem palavras e atacou. Uma pesada marreta que substituía sua mão esquerda esmagava com força, balançando a passarela e a estrutura, ameaçando destruir o pavimento. As Lâminas do Caos vieram facilmente para as mãos de Kratos, mas ele descobriu que o seu adversário era tão astuto quanto forte. Seus habituais ataques para enfraquecer a criatura e então enfiar a lâmina em sua garganta não iriam funcionar. O gigante evitava agilmente mesmo os golpes mais rápidos e forçava Kratos a dançar para trás, para evitar as pesadas marteladas de sua marreta. Qualquer acerto contra Kratos significaria a morte, e, pior, a criatura parecia inclinada a destruir a passarela e evitar que Kratos cruzasse o caminho. – Pelos deuses, você é diferente – Kratos disse. Ele percebeu uma centelha de inteligência nos olhos do monstro, enterrados sob as sobrancelhas ósseas. Grande inteligência. Em seguida, a criatura atacou, usando sua mão direita para fulminar os olhos de Kratos, mas somente como uma distração para o ataque real e amplo com o martelo. Um simples movimento para o lado permitiu que o punho do monstro passasse pelo espartano de forma inofensiva, mas esse não era o golpe almejado pela criatura; na verdade, sua estratégia era mais sutil. O punho do martelo bloqueou as armas de Kratos, permitindo ao monstro ficar a um passo de distância. Ele tentou agarrar Kratos, mas só conseguiu uma potente cabeçada. Uma fração de centímetro mais perto e teria acertado o olho do espartano. Respondendo da única maneira que podia, Kratos bateu nos ombros poderosos da criatura com os punhos de suas lâminas. A criatura desviou de maneira mais ligeira que qualquer outra criatura do Hades que Kratos já havia enfrentado. Eles circularam-se, cada um estudando o outro para encontrar suas fraquezas e definir a melhor forma de ataque. O sangue escorria pelo rosto de Kratos como um lembrete de que esse oponente pensava cuidadosamente sobre os seus ataques e de que era um adversário qualificado. Mas o monstro nunca havia enfrentado o Fantasma de Esparta antes. Kratos rugiu e correu na direção do monstro, pressionando o gigante a dar um passo para trás, então mudou a direção de seu ataque, caindo na plataforma e chutando-o. Uma greva de bronze bateu no joelho da criatura, desequilibrando-a. Kratos colocou seu outro pé atrás da perna da criatura e girou, surpreendendo-a. Não contente com isso, Kratos girou para enlaçar as pernas de seu inimigo, e então era a hora de acabar com a batalha. Sem equilíbrio e de costas para Kratos, a criatura cambaleou sobre a borda da plataforma. Girando uma lâmina na ponta de suas correntes, Kratos sentiu as armas forjadas no Hades atingirem
as costas expostas do gigante, fazendo-o cair para fora da plataforma. Ele urrou por todo o caminho até o chão distante, onde seus gritos terminaram abruptamente, em um estrondo enorme. Kratos olhou sobre a borda da plataforma e não se vangloriou com a vitória. O gigante havia sido um adversário digno, e nada mais. Foi apenas um obstáculo no caminho para a Caixa de Pandora. Kratos olhou para a passarela estreita e começou a andar sobre ela. O caminho era quase tão largo quanto suas sandálias, e a queda para o chão onde o corpo do monstro jazia devia de ser de uma centena de metros, mas ele não vacilou. Passos confiantes o levaram para uma ilha no meio da sala, onde uma alavanca havia sido travada. Estudando a área, Kratos viu que sua única esperança de chegar à outra porta de entrada, que estava há uns quinze metros de distância, era alcançar um cabo amarrado no teto, que balançava de um lado para o outro. Um salto permitiria que ele pegasse o cabo durante a queda, mas, se suas mãos escorregassem, se avaliasse mal a trajetória até a segurança da ilha, seu destino estaria traçado. Não havia nada abaixo do cabo, se ele o perdesse. Outro caminho sugeriu-se a ele. Kratos seguiu o mecanismo controlado pela alavanca e viu que ele deixava cair um enorme peso no andar de baixo. A descida se desenrolaria mais facilmente e lhe oferecia um caminho mais seguro até o cabo. Ele não hesitou. Ele tomou o cabo de segurança da alavanca e puxou com força, colocando as engrenagens e roldanas maciças em movimento. O enorme peso começou a ser baixado. Quando o peso passou por ele, Kratos pulou e agarrou a corrente que o segurava. Por um momento, ele oscilou, porque a adição de sua massa perturbou o mecanismo, desenrolou a corrente e abaixou o bloco de ferro. Mas ele estava pronto quando o peso se aproximou do cabo. Ele dobrou suas pernas e deu um salto poderoso, as mãos estendidas. Sucesso! Ele agarrou o cabo pesado, o que causou apenas uma ligeira curvatura por conta do seu peso. Kratos começou a se aproximar do outro lado da câmara. Ele manteve seu objetivo em vista e evitou olhar para baixo ou focar-se no estalido das engrenagens e nas batidas. Um deslize e ele seria moído e enviado para o Hades em pedaços minúsculos. Subindo pelo cabo, ele atingiu um ponto médio, onde sentiu que perdia a firmeza das mãos por conta de algum tipo de trepidação que não havia sentido minutos antes. Como um macaco, ele inverteu sua direção e olhou o comprimento do cabo que já havia percorrido. Uma das mãos soltou o cabo e procurou as Lâminas do Caos. Seguindo-o pelo ar, estavam dois monstros que batiam os dentes ávidos, a saliva pingando de suas presas, além de terem a habilidade de se balançarem e se moverem de um modo que ele nunca poderia igualar. Kratos considerou cortar o cabo, o que faria a metade distante bater na parede, enquanto a metade onde se agarrava iria balançar-se para frente, para que ele pudesse subir ao portal quando o cabo
batesse no muro. Mas não era para ser. Os monstros enxamearam à frente, escalando uns aos outros em sua pressa de matá-lo. Dedos com garras golpeavam-no, forçando-o a recuar. Kratos balançou e chutou-os, e eles ficaram desorientados por um instante. Quando ele balançou de volta, os bichos partiram para cima dele. Seu domínio sobre o cabo era firme, e ele se atreveu a utilizar sua lâmina. Ela golpeou em um ângulo desajeitado e causou pouco dano à primeira criatura; longos e profundos arranhões apareceram no braço que empunhava a espada quando as garras o arranharam. Pior do que a dor que ameaçava levá-lo a abandonar o uso de sua espada foi o ataque da segunda criatura, que pulava sobre a primeira ao longo do cabo. Ela não mirou no braço que empunhava a espada, mas na mão que segurava o cabo. Ela estalou as presas selvagens e pegou um dedo, quase rompendo o dígito da mão de Kratos. Ele rugiu de raiva e deixou que a sede de sangue que havia conhecido por dez anos completos assumisse o controle. Ele prendeu a segunda criatura entre suas coxas, torceu-a e a destituiu de seu domínio sobre o cabo. Ele se balançou e simplesmente a soltou, e a criatura mergulhou no piso distante. Mas não se chocou. Seu corpo foi jogado em uma alta roda dentada que girava, sendo em seguida capturada e moída no pesado mecanismo que parecia não ter outro propósito senão triturar até a morte. O companheiro da criatura cometeu o erro fatal de assistir à morte. Com uma mão no cabo, Kratos soltou a espada e agarrou a criatura. Seus dedos fecharam-se em torno do pescoço exposto. Tendões se destacaram em seus antebraços, enquanto ele espremia a vida da criatura, mas ele não parou até que todos os movimentos cessassem. O sangue dos seus arranhões profundos correu da sua mão para a carne do monstro morto, maculando-a. Somente quando Kratos estava convencido de que havia marcado a criatura para sempre no Hades com o seu sangue, ele enviou-a para baixo, para ser desmembrada nas engrenagens. Kratos balançou para trás e agarrou o cabo, seus dedos deslizaram e quase o levaram a falhar e cair rumo à morte. O sangue dos cortes e arranhões deixara seus dedos escorregadios. Sua força permaneceu, mas o cabo parecia ter sido untado pela tração que agora aplicava nele. Sua mão direita se soltou, deixando-o precariamente pendurado. Mesmo que a enxugasse, sabia que isso não iria funcionar; mais sangue escorreria de suas feridas. Kratos dobrou-se e laçou seus calcanhares sobre a parte superior do cabo, travando-os para ter mais apoio. Ele não tinha como estancar o sangue que vazava da sua carne branca como osso, mas manter seus tornozelos presos no cabo o impediu de seguir seus inimigos para o chão. Suspenso de cabeça para baixo, ele se projetou ao longo do cabo o mais rápido que pôde, até finalmente chegar ao fim da linha. Uma guinada rápida permitiu-lhe agarrar uma saliência
sob o portal. Ele enxugou as mãos, uma de cada vez, para limpá-las do sangue, e, em seguida, pulou até a saliência. De pé, ele encarou um corredor curto. A passos longos, Kratos checou para ver se havia finalmente chegado até a Caixa de Pandora. Em apenas alguns minutos, ele percebeu que não.


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