quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Iniciando as crônicas

Quando acordei hoje pelas 4hs da manhã , meus olhos estavam tão pesados que tive dificuldades para abri - los . Tinha perdido o sono na noite anterior e só conseguira voltar a dormir tarde da noite depois de uma leitura .
Após ter me preparado para sair , me despedi  de todos  , e atravessei a porta para mais uma jornada de trabalho  . Escuro , quente e silêncioso , o dia se apresentava como muitas vezes em tantos anos nesse horário . Respirei fundo , e olhei por um segundo ao redor do quintal de concreto da casa que moro  - só silêncio e escuridão  ... e um pouco de preocupação  , pois mais uma vez eu os deixava sozinho , afim de  cumprir minhas obrigações .
Subi as escadas que davam para a rua principal para abrir o portão ; as chaves faziam um barulho tão alto  , por causa do silêncio , que tive a impressão de que toda a rua ouvira . Igualmente o portão de ferro fez seu sonoro aviso de que estava se do aberto e trancado ( na verdade nem sei se existe um portão de ferro que não faça barulho ao abrir e fechar manualmente ) . Desci a rua  e só vi um homem no mesmo caminho e logo após  andar ulguns metros duas motos surgiram de um beco , apenas olhei com o canto do olho sem reparar em quem eram por curiosidade . Não é um bom lugar para ficar fitando desconhecidos  e eu tava meio com pressa de chegar no ponto de ônibus . Prossegui meu caminho . Notei que conformr caminhava me perdia em pensamentos enquanto reparava no caminho se abrindo a minha frente , nas casas amontoadas lado a lado , veículos parados em estreitas calçadas . A rua estava molhada , defeito que a muito se tenta concertar , mas é vão , veículos pesados garantem que permaneça assim .
Conforme descia o silêncio foi começando a se quebrar e ja não estava tão sozinho na rua , outras pessoas saiam de suas casas e desciam a rua para conquistar seu ganha pão de cada dia . Vidas diferentes , assuntos diferentes  , pensamentos , credos , sexo , cor , tudo diferente  ,  e mesmo assim , parece que vivemos em uma colônia realizando o mesmo propósito . Como a vida de cada um é parecida com tantos .
E pensamentos que me distrairam me levaram  ao ponto de ônibus . Haviam poucas pessoas e eu fiquei numa espera silenciosa , torcendo para que minha condução surgisse logo . Não fiquei torcendo por muito tempo ; o ônibus não estava vazio , mas  havia lugar suficiente para ir sentado  . A madruga é o que é  : meio vazia , com a cidade começando a criar vida , e quando se parece estar caminhando sozinho em ruas pouco iluminadas , descobre - se em pouco tempo que  somos apenas uma formiga  no meio do formigueiro .
Desvios pra lá , desvios pra cá , e , logo o ônibus chegava ao seu destino , que no meu caso era a Leopoldina . Ainda havia mais  um ônibus para pegar .
O motorista havia sido bom , e deixara mais próximo do ponto em que eu deveria pegar minha segunda condução . Corri até o primeiro que vi , mas depois  de  embarcar , vi outro da mesma linha parar ao lado e vazio , como não ainda tinha atravessado a roleta desci pedindo licença aos apressados que subiam e corri para o outro ônibus . Valeu a pena!  O coletivo estava cheio de lugares vazios  , me acomodei no banco solitario atras do motrista e peguei meu tablet para continuar a leitura do livro 2 das Crônicas de fogo e gelo . A viajem fluiu como morfina nas veias de algum doente , quando percebi ja estava no fim dela .
Leblon . A primeira coisa que fiz ao desembarcar foi olhar para o céu e ver a lua . A sombra da terra estava projetada um pouco abaixo do satelite natural , dando-lhe uma forma meio ovular , a luz do sol fora da atmosfera terrestre a deixava com um brilho majestoso , branco e vivido , parecia tão natural . Um vento quente percorreu pelas ruas enquanto eu andava , me fez pensar no fim do inverno e o calor que se seguiria na primavera e no verão . Seria agradavel , que o inverno me trouxe gripe e mau estar e uma tosse que se arrasta a um mes inteiro .
Caminhava a passos rapidos , pois  o tempo não estava muito ao meu favor e não queria chagar atrazado . No local ao qual trabalho uns poucos cumprimentos me fizeram dar a primeira vóz do dia e olhando o relógio de ponto ainda havia tempo suficiente para uma água  , colocar o uniforme e partir para a seção com alguns segundos de vantagem.
E assim comecei minha carga horária de 8 hs que passaram tão rápidas que mau percebi . Alguém falou sobre chuva no fim da tarde e quando percebi , numa ida la pra fora , o tempo havia começado a mudar  . Vai chover , confirmei comigo mesmo . Quando sair devo chegar em casa antes da chuva.
No almoço , ainda consegui tirar um cochilo para recuperar o sono perdido da noite anterior , estava com dor de cabeça e  este cochilo me recuperou memo!
Do retorno do almoço para minha saída , foi um pulo . O clíma nas ruas era de chuva mesmo , com um vento fresco , as nuvens se amontoando no céu , certamente traria água no fim da tarde . Meu retorno foi como sempre , uma leitura no ônibus para matar o tempo da viajem e uma longa espera para pegar a segunda condução de volta , mas em ambas as viajens vou sentado lendo.
Consegui chegar antes da chuva . E o retorno não é tão solitario quanto a partida , ha uma satisfação de chegar ao lar e descançar . Sentar e conversar com quem se ama , ouvir e expressar idéias , tomando decisões para um possível futuro , é mais  relaxante e prazeroso do que se imagina . A gente passa por um dia cheio, começando com um abrir de olhos , percorre caminhos e de ida e volta em um cíclo vicioso que culmina em histórias diferentes  , mas com uma coisa em comum que na maioria das vezes não se presta atenção chamada cotidiano.