Vinte e um
Ele realizou a oferenda para ganhar seu favorecimento, meu senhor e pai – Atena disse. – Você vai responder à sua prece? – Kratos é insolente – Zeus passou os dedos pela barba de nuvens e desviou o olhar de Atena para a piscina de vidência. – Ele não presta a reverência adequada a mim. Atena notou que essa não era realmente uma resposta. – Ele pode ser insolente – Atena disse cuidadosamente –, mas sua insolência o agrada. Eu posso ver. – Sua insolência, filha, não é agradável – disse Zeus rispidamente. Atena viu a maneira como ele olhava para a piscina. Ela tentou não gritar de alegria. Kratos superou suas expectativas, atingindo um ponto do Templo de Pandora muito antes do que ela esperava. Havia ainda muito perigo à frente, mas ele lutou bem. Melhor ainda, ele domou sua sede de sangue, e estava pensando agora. O Arquiteto havia projetado suas armadilhas para tragar os ousados e os descuidados, mas Kratos venceu apesar disso, às vezes com grande dificuldade, e ele continuava vigorosamente na direção da Caixa de Pandora. – Eu levarei isso em consideração. O sacrifício é agradável, depois que Ares assassinou muitos dos meus adoradores – Zeus franziu o cenho enquanto ponderava. – Kratos está mostrando o seu verdadeiro valor. – Então, o homem enjaulado era um adepto de Ares? Zeus não disse nada, mas Atena podia ler seu pai bem. Ares enviara um mortal para o templo para reivindicar a Caixa de Pandora. As ambições de seu irmão eram muito maiores do que ela havia considerado. Ele queria destruir Atenas, sim, mas isso só se acrescentava à prova de como sua arrogância subia até a borda do Olimpo. A Caixa daria um grande poder a um deus, mas apenas o Oráculo de Atena vira que ela também continha o segredo de como matar um deus. Ares não podia saber disso até que fosse tarde demais para ele parar Kratos. Atena temia que, apesar de toda a sua velocidade e astúcia, Kratos estivera se movendo muito lentamente através do templo. – Seu mortal luta bem. Olhe. Vê isso? – Zeus acenou para ela a seu lado. Juntos, eles assistiram enquanto Kratos abria caminho através de uma sucessão de armadilhas mortais diabolicamente criativas. – Ele tem talento – Zeus meditou. – É uma pena a sua loucura, não é? Essas visões horríveis, é espantoso que ele as tenha suportado por tanto tempo. – Ele espera ser libertado delas, pai. Nós conversamos sobre isso antes, você
se lembra? Você mesmo decretou que, se ele conseguisse, seus pecados seriam perdoados. E o perdão vai banir os pesadelos, não é? Zeus acenou com a mão vagamente, agora envolvido em assistir Kratos retalhar outro batalhão de mortos-vivos, górgonas, e minotauros, primeiro com as enormes lâminas forjadas no Hades, depois com a espada dada a ele por Ártemis. – Esse é o melhor passatempo que eu tive em eras. – Pai, os pesadelos de Kratos. Eles vão... – Veja, olhe lá, filha – Zeus apontou para a piscina de vidência novamente, e Atena sabia que ela não iria receber nenhuma resposta sobre Kratos. Sobre seu Kratos, como ela considerava-o agora. Ela tornou-se tão absorta na batalha que se desenrolava quanto seu pai, e caiu em silêncio.

Nenhum comentário:
Postar um comentário