sábado, 27 de dezembro de 2014

Crônicas 15

Para o Adeus , havia muitas entradas que levavam ao seu pé , que por sua vez levava a diversas ruas e vielas até seu cume . Mas , a que mais utilizávamos era a Rua Régio  , porque era mais fácil chegar até a casa da madrinha de meu irmão . Paralela a R. Régio , estava a Pedro Avelino , onde ficava a igreja católica e a Mobral , onde estudávamos . Achava este caminho mais longo , mas era por causa das muitas curvas e sua subida que cansava mais do que o normal . Imagino que para uma criança uma distância como aquela era demasiada longa .
Como disse , na Rua Pedro Avelino , ficava a escolinha da Mobral , onde nóis e toda a turma da época estudávamos o jardim de infância . Uma das gêmeas , Mônica e Simône  , nos buscavam ou levavam  , quando nossa mãe não podia . Elas pareciam  gostar de nos buscar .
A Mobral ficava colada a igreja e suas salas por baixo dela . Sempre tive curiosidade de entrar lá na igreja católica , como se eu nunca estivesse estado numa . Mas , no dia que Let fez sua primeira comunhão , matei esta curiosidade . Um salão cheio de vitrais coloridos , muitas imagens e uma cruz enorme no altar com um Cristo crucificado , padecendo de dor . Um padre com alguns coroinhas e fileiras de bancos de madeiras cheios de gente lendo e repetindo liturgias que eu mau entendia . Nossa mãe dizia que era bonito a cerimônia , e eu não entendia porque . Nossa madrinha insisia para que nóis fizéssemos catecismo para fazer a comunhão , mas , particularmente , não era meu desejo . Não me sentia bem com todas aquelas imagens .
O legal de estudar na Mobral era comer muito danone de chocolate e rabiscar com giz de cera . Nossa professora morava na entrada da R. Arapá , era jovem e bonita , e noiva . Seu noivo uma vez colocou meu irmão de castigo num quarto escuro de cara para a parede , e eu não gostei do que fez . Desde então não gostava dele , porque ao meu ver fez isto por maldade . Uma criança não pode se defender .
A Arapá era incrível . Na época de carnaval , costumava ter blocos de rua desfilando com bate - bolas , colombinas e todo aquele pessoal com fantasias coloridas e brilhantes . Willian se vestia de índio , suas irmãs colocavam lampejolas e porpurina por toda a roupa . Meu irmão e eu , as vezes ficávamos em casa e outras vezes , saíamos para a rua para brincar com toda a turma . Nem todos podíamos ter uma fantasia , mas o improviso era o melhor da brincadeira . O carnaval daquela época era mais inocente do que os de hoje em dia . Era tudo mais familiar , se brincava de verdade , e talvez , fosse pela censura da época do regime militar , mas , pelo menos , as crianças eram guardadas de certas coisas ao qual a crianças de hoje em dia estão expostas .


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