quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Crônicas 12

...  Então , moramos na Rua Arapá , em Ramos , numa pequena vila de casas alugadas . Não me recordo quando passamos a morar ali , mas sei que foi a época mais inocente da minha infância .
A Rua Arapá se alongava da Avenida Itararé até o pé do Morro do Adeus . Era toda de paralelepípitos . O conjunto de casas ficava quase no final da rua ; a Arapá se elevava na entrada da vila , onde havia uma escada de concreto para que os moradores pudessem sair ou entrar  , e outra mais a esquerda , com a mesma finalidade .
Descendo pela escada de concreto , saía - se  no terreno mais elavado do local . Era um terreiro vazio que , de vez em quanto , queimava - se lixo ou madeira velha . Era ali que , também , se fazia as fogueiras de festas juninas .
A diereita deste terreiro , para quem desce , havia uma escada com poucos degraus , onde encostada ao muro , existia  um jardim de rosas . Este canteiro se elevava acima de minha cabeça ( era alto pra quem tinha cerca de 4 ou 5 anos na época ).
Há esquerda , de frente para este canteiro com rosas , havia um pomar de carambolas ( sempre ou lembrar deste pomar ) ; onde D° Marcia e D° Marilene , faziam seus doces de carambola . Se irritavam , quando pegávamos algumas para comer , quando era chegado a época de dar frutos .
Na encosta do terreiro vazio , haviam dois coqueiros . Eram ótimos provedores de sombras . Gostava de brincar ali com um barquinho e plástico , desses que vinham presos em doces de banana açucarados , na época . Toda aquela terra fina , se transformava num oceano bravio cheio de monstros marinhos e aventuras sem fim que só uma mente  de criança poderia imaginar . E era muito gostoso sentir a terra fina entre os dedos e deixar cair nos braços  , me sujava mesmo . Mas levava aquela bronca e um tapa na mão . Adultos tem seus conceitos sobre diversão enquanto crianças tem os delas próprios .
De frente para estes coqueiros , era a casa da D° Marcia . Ela era a macumbeira local , na entrada de sua casa , sbre uma pequena mesa havia um crânio humano . Tinham - se dúvidas se era verdadeiro ou não , mas , para mim , era bem real .
Seu filho se chamava Willian . Meu irmão e eu , considerávamos nosso melhor amigo naquele lugar .
Nossa casa era ao lado da casa de D° Marcia . Um pequeno comodo feito de tijolos , onde apenas cabiam uma cama de casal , um berço , um fogão , uma geladeira e uma comoda para guardar as roupas . Lá , só havia uma porta e uma janela que dava para os fundos de um outro quintal . O espaço era pequeno , simples  e nos ajeitávamos como podiámos , mas ali era nosso lar .
No espaço aberto atrás da nossa casa , era o centro da vila . Cimentado de forma grosseira , ali havia ruínas do que parecia ter sido uma casa maior , que há muito fora demolida . A cerâmica picotada e espalhada , o piso vermelhão desgastado e rachado , davam indício que era isso mesmo .
Essas ruínas tomavam  metade do espaço do quintal que separava a casa de D° Marilene , senhoria da vila . Sua casa era a maior e mais bem feita , ficava nos fundos do lugar .
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