terça-feira, 4 de novembro de 2014

Crônica 2

Dia quente de primavera . Eu ainda estava nervoso pelo que havia acontecido na noite anterior  , meio turbado , com raiva por dentro , embora me esforçasse para não demostrar . Mas o que se pode fazer numa situação onde se fica impotente e pede a Deus para que tudo certo . Quando o ser humano nada pode fazer lhe resta a   , e significa esperânça .
Ela havia ficado presa com o pequeno e outras crianças  e outras pessoas numa casa enquanto uma intensa troca de tiros acontecia nas ruas . Eu soube no momento do primeiro pipoco , e , pela hora que não seria seguro para eles andarem pelo bairro , mesmo quando se retorna da escola . Mas eles foram pego no meio de uma guerra urbana . Não havia como ajuda - los  .
Quando ela entrou em contato comigo , por uma rede social , tive um ligeiro alivio em saber que estavam abrigados  , mas o tiroteio se estendeu por uns 20 minutos . Quando menos esperei  , ela atravessara o portão de nossa casa com o pequeno logo a frente  , meio assustado . Quando , ja em casa , ela me detalhou o ocorrido . Mas eu soube chamar a atenção dela e do pequeno . Acabamos todos nervosos. Por isso foi difícil o dia no trabalho hoje . Procurei ocupar a mente com muitas tarefas . Mas , ao retornar pra casa , o que vejo nas ruas é de amargar .
... a gente segue  sobrevivendo .

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